O FOCO PARA 2012

Jorge Luiz Strehl - Vice-Presidência Regional Vale do Itajaí da FIESC

Só reduzir juros e facilitar crédito não basta para enfrentar a crise. A Europa continua buscando uma saída organizada da crise financeira. Numa ação coordenada pelo FED norte-americano, seis bancos centrais facilitam os empréstimos interbancários em dólares para a zona do euro. Novas reuniões do BCE (Banco Central Europeu) e dos bancos centrais europeus são marcadas para buscar evitar futuras insolvências.

No Brasil, o governo anuncia a redução do IOF no crédito ao consumo para estimular o financiamento a pessoas físicas, bem como desonerações tributárias para incentivar as vendas de determinados setores, como parte da estratégia de não deixar a economia esfriar.

Mesmo com todas essas medidas, o Brasil ainda continua muito distante das taxas de financiamentos ofertadas no Primeiro Mundo. O crédito bancário médio está por volta de 39% e o consignado, em 28%, isso sem falar nos juros estratosféricos do crediário e do cheque especial. A inadimplência também não ajuda na redução das taxas.

Neste aspecto, o mercado de crédito imobiliário segue sendo um porto seguro para investidores e famílias. Com os recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e da Caderneta de Poupança, ele oferece empréstimos a taxas entre 5% e 12% mais TR (Taxa Referencial).

Em 2011, somente os recursos da poupança destinados ao financiamento da construção e da aquisição de moradias devem superar em 50% o valor concedido em 2010. Isso mostra o importante papel do financiamento para a atividade da construção e a economia do país. O crédito imobiliário, que historicamente representava apenas 2% do PIB (Produto Interno Bruto), agora já representa 5% e ainda tem muito espaço para crescer, comparado a outros países. Para tanto, será preciso fortalecê-lo ainda mais e inovar, buscando novas fontes para seu financiamento.

Mas, nem por isso as construtoras estão imunes ao elevado custo do financiamento bancário. Isso pode ser constatado na comparação das Sondagens Nacionais da Construção, realizadas trimestralmente pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

O histórico das sondagens mostra que os empresários da construção esperam mais dificuldades financeiras em 2012.

Neste cenário, para manter o crescimento econômico e enfrentar a crise, o governo terá a grande responsabilidade de agir em outras frentes além da redução dos juros e da facilitação do crédito. Precisará também voltar a elevar seus investimentos especialmente em infraestrutura e habitação, bem como impulsionar medidas que desonerem o setor produtivo e contribuam para elevar a produtividade. E necessitará, em todos os níveis e instâncias, elevar sua eficiência administrativa.

As grandes medidas macroeconômicas precisam ser acompanhadas de um elenco de ações que efetivamente estimulem o investimento na produção e no fortalecimento do mercado interno, nosso maior cacife para enfrentar os desdobramentos da crise européia e manter a taxa de crescimento da economia.

 
Sindicato da Indústria da Construção de Blumenau - Fone: 3339-9000 - E-mail: sinduscon@sindusconbnu.org.br