Jorge
Luiz Strehl - Vice-Presidência Regional Vale do Itajaí
da FIESC
Só reduzir juros e facilitar
crédito não basta para enfrentar a crise. A
Europa continua buscando uma saída organizada da crise
financeira. Numa ação coordenada pelo FED norte-americano,
seis bancos centrais facilitam os empréstimos interbancários
em dólares para a zona do euro. Novas reuniões
do BCE (Banco Central Europeu) e dos bancos centrais europeus
são marcadas para buscar evitar futuras insolvências.
No Brasil, o governo anuncia a redução
do IOF no crédito ao consumo para estimular o financiamento
a pessoas físicas, bem como desonerações
tributárias para incentivar as vendas de determinados
setores, como parte da estratégia de não deixar
a economia esfriar.
Mesmo com todas essas medidas, o Brasil
ainda continua muito distante das taxas de financiamentos
ofertadas no Primeiro Mundo. O crédito bancário
médio está por volta de 39% e o consignado,
em 28%, isso sem falar nos juros estratosféricos do
crediário e do cheque especial. A inadimplência
também não ajuda na redução das
taxas.
Neste aspecto, o mercado de crédito
imobiliário segue sendo um porto seguro para investidores
e famílias. Com os recursos do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) e da Caderneta de Poupança,
ele oferece empréstimos a taxas entre 5% e 12% mais
TR (Taxa Referencial).
Em 2011, somente os recursos da poupança
destinados ao financiamento da construção e
da aquisição de moradias devem superar em 50%
o valor concedido em 2010. Isso mostra o importante papel
do financiamento para a atividade da construção
e a economia do país. O crédito imobiliário,
que historicamente representava apenas 2% do PIB (Produto
Interno Bruto), agora já representa 5% e ainda tem
muito espaço para crescer, comparado a outros países.
Para tanto, será preciso fortalecê-lo ainda mais
e inovar, buscando novas fontes para seu financiamento.
Mas, nem por isso as construtoras estão
imunes ao elevado custo do financiamento bancário.
Isso pode ser constatado na comparação das Sondagens
Nacionais da Construção, realizadas trimestralmente
pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).
O histórico das sondagens mostra
que os empresários da construção esperam
mais dificuldades financeiras em 2012.
Neste cenário, para manter o
crescimento econômico e enfrentar a crise, o governo
terá a grande responsabilidade de agir em outras frentes
além da redução dos juros e da facilitação
do crédito. Precisará também voltar a
elevar seus investimentos especialmente em infraestrutura
e habitação, bem como impulsionar medidas que
desonerem o setor produtivo e contribuam para elevar a produtividade.
E necessitará, em todos os níveis e instâncias,
elevar sua eficiência administrativa.
As grandes medidas macroeconômicas
precisam ser acompanhadas de um elenco de ações
que efetivamente estimulem o investimento na produção
e no fortalecimento do mercado interno, nosso maior cacife
para enfrentar os desdobramentos da crise européia
e manter a taxa de crescimento da economia. |